O bruxismo noturno é a forma mais prevalente e mais difícil de controlar do bruxismo. Ocorre durante o sono, de forma completamente inconsciente, e pode gerar forças 6 a 10 vezes maiores do que a mastigação normal. Muitos pacientes só descobrem que têm bruxismo quando o parceiro de quarto relata ouvir ruídos de ranger de dentes durante a noite, ou quando o dentista identifica desgaste dental avançado.
Por que o Bruxismo Ocorre Durante o Sono?
O bruxismo noturno está classificado como um distúrbio do movimento relacionado ao sono. Ocorre predominantemente durante os estágios 1 e 2 do sono não-REM e está associado a microdespertares — breves ativações cerebrais de 3 a 15 segundos que fragmentam o sono sem que o indivíduo perceba. Cada episódio de bruxismo é precedido por um microdespertar, com aumento da frequência cardíaca e da atividade do sistema nervoso simpático.
O mecanismo neurobiológico envolve o sistema dopaminérgico: pacientes com bruxismo noturno apresentam alterações na regulação da dopamina no sistema nervoso central. Isso explica por que medicamentos que afetam o sistema dopaminérgico — como os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) — podem causar ou agravar o bruxismo noturno como efeito adverso.
Sintomas do Bruxismo Noturno
Os sintomas mais característicos do bruxismo noturno aparecem pela manhã, ao acordar: dor ou rigidez na mandíbula e nos músculos da mastigação (presente em 60% dos casos); dor de cabeça matinal, especialmente nas têmporas (40% a 50%); sensação de cansaço nos músculos do rosto; e sensibilidade dentária aumentada. O parceiro de quarto pode relatar ouvir ruídos de ranger de dentes durante a noite.
No longo prazo, o bruxismo noturno não tratado resulta em: desgaste dental progressivo (perda de 1 a 2 mm por ano em casos graves); fratura de dentes e restaurações; hipertrofia dos músculos masseteres (tornando o rosto mais quadrado); e desenvolvimento ou agravamento de DTM.
Diagnóstico do Bruxismo Noturno
O padrão-ouro para o diagnóstico é a polissonografia com eletromiografia (EMG) dos músculos masseteres, que registra a atividade muscular durante o sono. Na prática clínica, o diagnóstico é baseado em: relato do parceiro de quarto sobre ruídos noturnos; exame clínico (desgaste dental, hipertrofia do masseter, sensibilidade muscular); e dispositivos de monitoramento ambulatorial. A classificação diagnóstica atual distingue bruxismo "possível" (autorrelato), "provável" (exame clínico) e "definitivo" (polissonografia).
Tratamento do Bruxismo Noturno
A placa interoclusal rígida é o tratamento de primeira linha: protege os dentes do desgaste e pode reduzir a atividade muscular em 20% a 40%. A toxina botulínica nos masseteres é indicada para casos graves com hipertrofia muscular, com redução de 50% a 65% na atividade eletromiográfica. O manejo do estresse e a higiene do sono são fundamentais para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.
Referências Científicas
Lavigne GJ, et al. Sleep bruxism: validity of clinical research diagnostic criteria. J Dent Res. 2001;80(10):1878-1882. | Lobbezoo F, et al. Bruxism defined and graded. J Oral Rehabil. 2013;40(1):2-4.