O diagnóstico do bruxismo passou por uma revisão importante em 2013, quando Lobbezoo et al. propuseram uma nova classificação que distingue bruxismo possível, provável e definitivo — baseada no nível de evidência disponível para cada método diagnóstico.
Classificação Diagnóstica do Bruxismo
O bruxismo é classificado em dois tipos principais: bruxismo do sono (BS) e bruxismo em vigília (BV). O bruxismo do sono ocorre durante o sono e é considerado um distúrbio do movimento relacionado ao sono; caracteriza-se principalmente pelo ranger dos dentes. O bruxismo em vigília ocorre durante o estado acordado e manifesta-se principalmente pelo apertar dos dentes sem ranger. Ambos podem coexistir no mesmo paciente e têm mecanismos fisiopatológicos distintos, o que influencia o tratamento.
Diagnóstico Clínico: O que o Dentista Avalia
O diagnóstico clínico do bruxismo inclui: anamnese sobre o relato do paciente ou parceiro de quarto; exame dos dentes em busca de facetas de desgaste — superfícies planas e brilhantes que indicam atrito; palpação dos músculos masseteres e temporais para identificar hipertrofia e sensibilidade dolorosa; avaliação da amplitude de abertura bucal; e exame de possíveis lesões nos tecidos moles (mordidas na mucosa jugal, impressões dentárias na língua). O masseter hipertrofiado pode ser visivelmente proeminente em casos graves.
Polissonografia: O Padrão-Ouro
A polissonografia (PSG) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico definitivo do bruxismo do sono. Realizada em laboratório do sono, registra simultaneamente a atividade eletromiográfica dos músculos masseteres, os estágios do sono (eletroencefalograma), movimentos oculares, fluxo aéreo e saturação de oxigênio. O diagnóstico de bruxismo do sono pela PSG requer pelo menos 4 episódios de atividade rítmica dos músculos masseteres por hora de sono, ou pelo menos 25 episódios por hora. A PSG também permite identificar apneia do sono associada.
Dispositivos de Monitoramento Ambulatorial
Dispositivos portáteis de monitoramento do bruxismo são alternativas menos invasivas para uso domiciliar. O BiteStrip é um sensor eletromiográfico descartável que registra a atividade do masseter durante o sono. O Bruxchecker é uma folha de resina termoplástica que, colocada sobre os dentes durante o sono, registra as áreas de contato dental pelo desgaste da resina. Esses dispositivos têm menor precisão diagnóstica que a polissonografia, mas são úteis para triagem e monitoramento do tratamento em ambiente clínico.
Referências Científicas
Schiffman E, et al. Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD). J Oral Facial Pain Headache. 2014;28(1):6-27. | Slade GD, et al. Summary of findings from the OPPERA prospective cohort study. J Pain. 2013;14(12):T102-T115. | Al-Ani MZ, et al. Stabilisation splint therapy for TMD. Cochrane Database Syst Rev. 2004.